Rio de Janeiro - Patrimônio histórico, cultural e acima de tudo religioso dos mais antigos do Rio de Janeiro, o Mosteiro de São Bento passa por um processo de conservação das suas instalações que começou há dois anos e deve terminar daqui a outros dez, na previsão do seu Diretor de Patrimônio, D. Mauro Fragoso, que também é professor de história da arte da faculdade São Bento.“Acabamos de ver concluída a conservação de duas das nove capelas, a do Santíssimo Sacramento e a capela-mor, que tomaram dois anos de trabalho”, contou o diretor, esclarecendo que toda a reforma depende de patrocínio como o obtido para a capela-mor, com a Petrobras, a de Santo Amaro e a do Santíssimo Sacramento, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).A obra de conservação – termo que dom Mauro prefere a restauração – inclui a parte mais crítica, a detecção e combate aos cupins, que comprometiam a sustentação das duas capelas agora entregues, mas prossegue com a recuperação de todos os elementos, até as folhas de ouro que emprestam ao seu revestimento o esplendor do barroco religioso brasileiro.As capelas ainda pendentes de patrocínio para as obras são a de Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Pilar, Santa Gertrudes, São Lourenço, São Brás e São Caetano. A de Santo Amaro, cuja conservação começou em abril., deverá se entregue no mês que vem. Fundado em 1590, quando o Rio de Janeiro era uma cidade de apenas 25 anos, o mosteiro beneditino foi instalado inicialmente na Ermida de Nossa Senhora do Ó, na atual Praça XV. De lá, transferiu-se para o outeiro, hoje Morro de São Bento, doado por Manuel de Brito, amigo do fundador da cidade, Estácio de Sá.A instalação definitiva do Mosteiro e da Igreja de Nossa Senhora de Monserrat, que compõem o conjunto arquitetônico, começou em meados do século 17 e só terminou 90 anos depois, em 1742. Até o conjunto mantém as características originais do período e constitui o exemplo histórico mais importante do centro do Rio de Janeiro.“Com o passar do tempo, houve também uma mistura de estilos, comum na história da arquitetura brasileira. A capela mor, por exemplo, tem uma parte barroca e outra parte rococó”, disse a restauradora Rejane Oliveira dos Santos, contratada para a conservação pela empresa que cuida da recuperação dos telhados e outras partes não artísticas ou religiosas das construções.Em concordância com dom Mauro Fragoso, Rejane também apontou a ocorrência de cupins como a principal preocupação na conservação do mosteiro, porque tudo é à base de madeira muito antiga: “Na capela mor chegamos a encontrar cupins vivos, o que é difícil, porque o cupim é fotossensível e não costuma estar à vista, exposto à luz”.O conjunto do Mosteiro de São Bento está incluído na área do projeto de revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro, como outro morro, o da Conceição, com fortificação, instalações militares e casario do século 18. “Eram quatro os morros do centro do Rio: do Castelo, de Santo Antônio, da Conceição e de São Bento”, Rejane lembrou. Do Morro de Santo Antônio, restam hoje o convento e a igreja do mesmo nome e a capela da Ordem Terceira de São Francisco, junto ao Largo da Carioca. A maior parte foi eliminada com a expansão do centro para a Rua do Lavradio, no lugar onde hoje está a Avenida Chile.O morro do Castelo foi desfeito em 1922 à base de jatos d’água, motores elétricos e máquinas a vapor, a pretexto de melhorar a ventilação no centro da cidade e para abrir espaço às comemorações de centenário da Independência. Sua importância histórica remonta a 1567, antes mesmo da chegada dos beneditinos ao Rio – daí o conjunto do Morro de São Bento ser hoje a memória mais antiga do centro carioca.
Agência Brasil