segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Patrimônio histórico de São Paulo tem até ‘puxadinho’



Foto: Marcelo Mora/G1


Patrimônio histórico de São Paulo tem até ‘puxadinho’
Água 'brota' em edificação tombada pelo Condephaat.Sem conservação, casarões antigos viram cortiços na Bela Vista.
Marcelo Mora Do G1, em São Paulo


'Puxadinhos', com cobertura de plástico azul, foram construídos em palacete tombado pelo Condephaat e pelo Conpresp; a Vila Itororó começou a ser construída em 1920 e conta com 37 edificações (Foto: Marcelo Mora/G1)
São Paulo tem se mobilizado para ajudar a cidade de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, a se recuperar da enchente que destruiu grande parte do município no início do ano, mas assiste ao patrimônio histórico da capital paulista se deteriorar. Esta degradação se agrava ainda mais com as incessantes chuvas que estão castigando a capital neste mês.

Confira fotos de imóveis tombados na Bela Vista Para constatar essa deterioração do patrimônio histórico, basta uma caminhada pelas ruas da Bela Vista, bairro na região central que teve áreas inteiras tombadas pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), em resolução publicada em 2002.

Além do tombamento destas áreas, como a região do Bixiga, que abriga dezenas de restaurantes e centenas de imóveis - como casarões, igrejas e teatros, e conjuntos arquitetônicos, como escadarias, praças e logradouros - são protegidos pela resolução, que determina preservação integral do bem tombado. O artigo 8º desta resolução estabelece que nenhuma intervenção pode ser realizada nos bens tombados sem a prévia aprovação do Departamento do Patrimônio Histórico e do Conpresp. A lista completa dos bens tombados pode ser acessada pela página da Prefeitura na internet.

Apesar disso, a Vila Itororó, um complexo de 37 edificações, com destaque para um palacete de quatro pavimentos e adornada por 18 colunas, que começou a ser construído em 1920, apresenta grau elevado de deterioração, mesmo sendo tombada também pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). No palecete da vila, por exemplo, os atuais moradores – seis famílias, ao todo - construíram ‘puxadinhos’, construções anexas de bloco e cimento, alterando a fachada da edificação. Além disso, possivelmente por ter sido construída sobre o Córrego Itororó, minas d'água estão "brotando" no quintal das casas. Depois das fortes chuvas deste mês, as minas estão surgindo dentro das próprias casas, na sala, cozinha ou qualquer outro cômodo, segundo relatou ao G1 a secretária Antônia Souza Cândida, de 48 anos, que atua como uma coordenadora da Vila Itororó.

Walter Taverna, fundador da Sociedade de Defesa das Tradições e Progresso da Bela Vista, e Antônia Cândido, coordenadora da Vila Itororó (Foto: Marcelo Mora/G1)
Moradora do local há 29 anos, ela disse que, apesar de externamente as edificações parecerem cortiços, por dentro estão bem conservadas.

Conselho do patrimônio
Rovena Negreiros, presidente do Condephaat, confirmou que houve alterações na fachada do palacete. “Essas alterações são anteriores ao tombamento de 2005, quando o palacete já havia se transformado em um cortiço”, informou Negreiros, por e-mail.

Além disso, ela admitiu que este patrimônio histórico corre sério risco, tanto pela falta de conservação quanto, possivelmente, pelas chuvas. “Não sabemos se é possível atribuir tais problemas às fortes chuvas ou, ao menos, exclusivamente a elas. É preciso avaliar melhor outros possíveis problemas”, ressaltou. Ela lembrou que o projeto de implantação da Vila Itororó previa a exploração de uma mina d’água para a construção da primeira piscina particular em um imóvel residencial na capital. “É possível que as águas subterrâneas tenham se aflorado em outros pontos e que não estejam sendo direcionadas para a piscina”, disse. Mas este seria apenas um dos problemas a ser resolvido, segundo Rovena. “Com o passar dos anos, tendo como hipótese a falta de manutenção da piscina e mesmo do conjunto arquitetônico tombado, seria de se esperar que os encanamentos e tubulações estejam em condições precárias, podendo provocar infiltrações nos imóveis, a ponto de comprometer suas estruturas”, reconhece a presidente do Condephaat.

Desapropriação
A assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura do município, também por meio de e-mail, informou que a Vila Itororó está para ser desapropriada por meio de decreto. “O governo do estado irá realizar a desapropriação dos imóveis históricos da vila e a secretaria irá desapropriar três imóveis que dão acesso ao complexo da Vila Itororó”, diz a assessoria.

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A secretaria municipal informou que já contratou, inclusive, o projeto de restauro em dezembro de 2009 ao custo de R$ 706 mil. A vila deverá se transformar em um centro cultural. “A conclusão deste projeto está prevista para 2011, quando será possível licitar o projeto e começar as obras que devem ser concluídas até o final de 2012. Tudo isso pressupondo que a desapropriação do local seja concluída neste ano”, explica a assessoria da secretaria.

A presidente do Condephaat disse ao G1 que o projeto de transformar a Vila Itororó em centro cultural existe “desde o final da década da 1970”, mas até agora não foi protocolado no órgão nenhum projeto de recuperação.De acordo com a assessoria da Prefeitura, a desapropriação já foi determinada e só é necessário aguardar uma definição judicial sobre a quem será destinado o valor da indenização: se aos moradores ou ao atual proprietário da vila. Depois da venda da vila pelo antigo proprietário, anos atrás, os moradores entraram na Justiça para evitar que fossem despejados. Enquanto não sai esta decisão, eles aguardam por uma solução dos órgãos competentes, pois além de não poderem mexer externamente nos imóveis, a vila não conta com serviços essenciais, como rede de esgoto, iluminação pública e nem coleta de lixo.
“Meu sonho é que as construções sejam restauradas e a vila volte a exibir toda a beleza destas construções. No ano passado, fizemos aqui a ‘Vilada Cultural’. Temos interesse de permanecer e transformar este lugar em uma atração turística, gastronômica e cultural”, diz Antônia Cândido.

Casarões
Além da Vila Itororó, é possível observar, em uma rápida caminhada em direção ao Centro pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio, alguns casarões antigos em mau estado de conservação, inclusive com pichações nas paredes externas. Pelo menos um teve as portas e janelas emparedadas para evitar invasões por moradores de rua. Muitos viraram cortiços. “Os proprietários não têm interesse em preservar e alugam barato. Muitas famílias acabam se instalando nestas casas e degradando-as ainda mais”, lamentou Walter Taverna, de 75 anos, um dos fundadores da Sociedade de Defesa das Tradições e Progresso da Bela Vista (Sodepro). Ele acompanhou o G1 na visita por alguns dos imóveis tombados da Bela Vista. Dentre eles, o Castelinho da Brigadeiro, localizado no número 826, e a Casa de Dona Yayá, na Rua Major Diogo, 353. Ambos foram restaurados, mas estão à mercê dos vândalos. O muro do Castelinho, por exemplo, foi pichado. A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Cultural informou que, apesar de o bairro ser tombado pelo Conpresp, não tem como intervir no caso de imóveis particulares.


Globo.com

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Tietê preserva casario centenário



Tietê preserva casario centenário
Proprietários que restauram os imóveis terão isenção do IPTU
José Maria Tomazela

COLORIDO ESPECIAL - Casarões do período colonial - e alguns da República Velha - foram recuperados com a ajuda de seus proprietários e de moradores; a prefeitura busca apoio de órgãos do patrimônio estadual e federal para obter recursos e expandir projeto de restauroCasarões centenários, entre eles construções remanescentes do período colonial, foram salvos da demolição e estão sendo preservados por iniciativa dos moradores de Tietê, a 150 km de São Paulo. Com recursos próprios, eles investiram no restauro e garantem o bom estado de conservação dos imóveis. A partir deste ano, graças a uma lei aprovada em 2009, os proprietários terão isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). A expectativa do prefeito José Carlos Melaré (PTB) é de que a medida estimule mais proprietários a aderir ao projeto.O comerciante Luiz Gonzaga Rossiti é dono de três casarões preservados na Rua do Comércio, próxima do Rio Tietê. Sua mulher, Regina Jabur Rossiti, conta que, quando ele comprou o conjunto, em meados dos anos 90, recebeu do ex-proprietário, além da escritura, um alvará para a demolição do imóvel. Ao examinar o prédio principal, um sobrado do período imperial, de 1869, com paredes de taipa e varandas nos janelões, não teve coragem de autorizar a derrubada. Foram seis anos de obras para restaurar nos mínimos detalhes o que é hoje um dos cartões-postais da cidade. "Ficou caro, mas valeu muito a pena", diz Regina. O conjunto abriga uma escola particular.Regina se inspirou na iniciativa do marido e trabalha no restauro de outro casarão na mesma rua. "É uma construção do período imperial, talvez até mais antiga." Nesta semana, ela recebeu a má notícia de que as paredes internas, em pau a pique, estão irrecuperáveis. "Mas conseguimos salvar a fachada, com paredes de quase um metro, além dos janelões avarandados." Regina calcula que vai gastar muito mais para recuperar as linhas originais do casarão do que despenderia para demolir e fazer um prédio novo. "Fazemos por gosto e pelas gerações futuras." Ela lembra que algumas dessas casas são históricas, tendo recebido, no passado, visitantes ilustres, como o imperador d. Pedro II e a família imperial.Muitos dos casarões ainda são habitados por famílias tradicionais, como Casagrande, Fleury e Ferraz, na Praça J. A. Corrêa. As iniciais da família e a data da construção estão em detalhes sobre as portas de madeira maciça. Outros abrigam estabelecimentos comerciais ou repartições públicas, como a Casa da Cultura. ESFORÇO Desde 2002, a prefeitura tenta obter o tombamento estadual e federal de um conjunto arquitetônico com 32 imóveis. Além dos casarões, estão incluídos o prédio do seminário, a igreja matriz e o Largo de São Benedito - com uma igreja do século 19. Até agora, apenas o prédio de uma escola foi tombado. O secretário municipal de Cultura e Turismo, Pedro Macerani, conta que a falta de tombamento impede o uso de recursos públicos na preservação dos imóveis. Se a prefeitura não autoriza reformas, os casarões podem desabar. Entre as perdas recentes, está a do antigo prédio dos Correios, demolido neste ano. Em compensação, pelo menos quatro casarões estão sendo restaurados pelos donos, com acompanhamento de técnicos municipais. Entre eles, um belo exemplar do fim do século 19, na Rua do Comércio."A recuperação de uma casa de porte médio custa entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, um custo que a prefeitura não tem condições de bancar'', disse o secretário. A cidade de 36.211 habitantes surgiu com os bandeirantes e portugueses que desbravavam o interior navegando pelo Rio Tietê. A criação do município ocorreu em 1852.


Jornal O Estado de S. Paulo de 15 de janeiro de 2010 (Há 168 dias sob censura)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Pirâmides do Egito não foram construídas por escravos

Pirâmides do Egito não foram construídas por escravos--pesquisa
domingo, 10 de janeiro de 2010

CAIRO (Reuters) - Novas tumbas encontradas em El Giza apóiam a visão de que as Grandes Pirâmides foram construídas por trabalhadores livres e não por escravos, como se acreditava, disse o arqueólogo-chefe do Egito neste domingo.
Filmes e a mídia retrataram por muito tempo escravos trabalhando no deserto para construir as gigantescas pirâmides somente para encontrar uma morte miserável no fim de seus esforços.
"Essas tumbas foram construídas ao lado da pirâmide do rei, o que indica que essas pessoas não eram de forma alguma escravos", disse Zahi Hawass, arqueólogo-chefe que lidera a equipe de escavação do Egito.
"Se fossem escravos, não teriam o direito de construir suas tumbas ao lado da tumba do rei."
Hawass disse que uma série de tumbas de trabalhadores, algumas delas encontradas nos anos 1990, estava entre as maiores descobertas dos séculos 20 e 21. Elas pertenciam a homens que construíram as pirâmides de Khufu e Khafre.
O arqueólogo encontrou anteriormente trabalhos de grafite nas paredes por trabalhadores que se denominavam "amigos de Khufu" --mais um indício de que não eram escravos.
As tumbas, no planalto de El Giza, na fronteira oeste do Cairo, têm 4.510 anos de existência e se encontram na entrada de uma necrópole de um quilômetro e meio de comprimento.
Hawass disse que havia provas de que fazendeiros no Delta e no Alto Egito enviaram 21 búfalos e 23 ovelhas para o planalto todos os dias para alimentar os trabalhadores, acreditando-se ser 10 mil --cerca de um décimo da estimativa de 100 mil do historiador grego Heródoto.
Esses fazendeiros eram isentos de pagar impostos ao governo no antigo Egito --evidência que enfatiza o fato de que estavam participando de um projeto nacional.
A primeira descoberta das tumbas dos trabalhadores em 1990 aconteceu acidentalmente quando um cavalo tropeçou numa estrutura de tijolo há 10 metros do local de enterro.
(Reportagem de Marwa Awad)