domingo, 27 de dezembro de 2009
Museu de Arte Sacra tem dez mil peças históricas da diocese de São João da Boa Vista
sábado, 12 de dezembro de 2009
França devolve quatro fragmentos de murais ao Egito
França devolve quatro fragmentos de murais ao Egito
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 17:31
PARIS (Reuters) - A França devolveu quatro fragmentos de um antigo mural de uma tumba a autoridades egípcias nesta sexta-feira, e o presidente Nicolas Sarkozy devolverá o quinto pedaço na próxima semana, disse o Ministério da Cultura francês.
Sarkozy vai entregar o quinto fragmento ao presidente egípcio, Hosni Mubarak, durante um almoço no palácio presidencial na segunda-feira, segundo o ministério.
A França disse que os fragmentos foram obtidos em boa fé pelo Louvre entre 2000 e 2003, mas suas origens foram questionadas em 2008, depois da descoberta da tumba de onde eles teriam sido tirados.
A França disse em outubro que iria devolver os cinco fragmentos mantidos no museu do Louvre para mostrar a determinação do país em combater o tráfico ilegal de objetos culturais.
Sob a convenção de 1970 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), os países concordaram com medidas para evitar a exportação ilegal de tesouros nacionais.
(Reportagem de Emmanuel Jarry)
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Antena Paulista vista o Museu Republicano de Itu
Estação de trens de Jaguariúna será restaurada
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Começa a Semana do Patrimônio Hiistórico e Cultural Militar
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
igreja do Pátio do Colégio terá batismo com água quente

Reforma na igreja do Pátio do Colégio durou quatro meses (Foto: Daigo Oliva/G1)
O altar ganhou um painel de azulejos dourados e cruz de madeira do século 16 (Foto: Daigo Oliva/G1)
Reformada, igreja do Pátio do Colégio terá batismo com água quente
Reforma durou quatro meses; nova configuração será inaugurada dia 24.Igreja não era tombada e prédio atual foi construído em 1979.
Luísa Brito Do G1, em São Paulo
Reforma na igreja do Pátio do Colégio durou quatro meses (Foto: Daigo Oliva/G1)
Após quatro meses de reforma, a Igreja do Beato José de Anchieta, no Pátio do Colégio, Centro de São Paulo, ganhou uma nova configuração no altar, seis painéis de azulejos azuis nas paredes laterais, nova iluminação que valoriza a arquitetura e uma pia batismal com água morna. Além da temperatura da água, o objeto, agora mais profundo, permite que a criança tenha o corpo inteiro mergulhado, o que aproxima mais o ritual da liturgia do cristianismo.
Veja galeria de fotos da igreja
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“Agora, há uma unidade entre a celebração e o espaço litúrgico”, afirmou o padre Carlos Contieri, diretor do Pátio do Colégio. Segundo ele, havia uma necessidade de reformar a igreja para poder organizar de maneira correta o espaço segundo a liturgia. “Antes, no centro do altar, tinha uma estátua de Anchieta quando deveria estar uma cruz”, afirmou. A imagem do beato foi levada para o jardim. A inauguração do local está marcada para o dia 24 deste mês e terá a presença do arcebispo de São Paulo, cardeal Dom Odilo Scherer, que vai comandar a cerimônia de consagração do altar. De acordo com o padre e o artista plástico que projetou a reforma, Cláudio Pastro, o objetivo do trabalho não era fazer uma réplica da primeira construção do século 16 e sim fazer uma remissão ao barroco de forma moderna. “Igreja não é museu, é um espaço vivo”, diz Pastro, que também fez os painéis de azulejos azuis na lateral da igreja. “A função do espaço na tradição da igreja é ser catequético”, acrescentou.
Mudanças
Quatro painéis contam a história de Anchieta, inclusive um deles tem a oração do Pai Nosso em Tupi Guarani. Um outro fala sobre a liturgia do batismo e, o sexto, tem um texto do evangelho segundo São João. A pia batismal, o púlpito de onde são feitas as leituras, e a cátedra onde senta o presidente da cerimônia agora são feitos de granito cor de rosa. A pia e o púlpito estão no centro da igreja, cada um em uma lateral, um de frente para o outro.
O altar ganhou um painel de azulejos dourados e cruz de madeira do século 16 (Foto: Daigo Oliva/G1)
Com a reforma, o altar ganhou um painel de azulejos dourados (com o brasão dos jesuítas ao centro), piso de granito cor de vinho e uma cruz de madeira do século 16 feita em Portugal. A cruz, que estava exposta no museu que fica ao lado da igreja, tem cerca de 1,90 metro e está suspensa por um cabo de aço em frente ao painel dourado. Em meio ao teto de estilo barroco do altar, foi colocado um caixotão com a imagem do cordeiro pascal. A novidade foi decidida já depois de iniciada a reforma. Na área do Pátio do Colégio foi erguida a primeira construção de São Paulo, uma cabana de pau-a-pique, na frente da qual foi celebrada uma missa no dia 25 de janeiro de 1554, o que marcou a fundação da cidade. Dois anos depois, foi erguida uma igreja no local, que posteriormente foi ampliada com estrutura de pedra e taipa de pilão. A construção foi demolida no final do século 19 e a edificação como era antes da reforma foi inaugurada só em 1979. O prédio não é tombado pelo patrimônio histórico. O altar original não existia mais. Uma das únicas peças que restaram foram colunas de madeira, conhecidas como colunas salomônicas, do século 17, que ficavam no altar da antiga construção. As colunas estão sendo restauradas e o artista plástico vai avaliar se elas devem voltar para o altar ou se ficarão expostas no museu que fica ao lado da igreja.A reforma recebeu críticas de setores da sociedade que disseram que a mudança iria descaracterizar o local. “Quando vi, me assustei. Ficamos achando que estava alterando a identificação da igreja do tempo de Anchieta”, afirmou o advogado Pedro Paulo Penna Trindade, que disse ser membro do conselho cívico e cultural da Associação Comercial de São Paulo.
Segundo ele, o conselho, formado por cerca de 40 pessoas, chegou a pensar em mandar um manifesto para a imprensa para reclamar da reforma. No entanto, acharam melhor marcar uma reunião com o padre e o artista plástico no mês de novembro, para falar sobre a reforma. “O conselho quer uma explicação sobre todas as mudanças”, afirmou.
Missas
Durante a reforma, as missas não foram suspensas e continuaram a ser realizadas mesmo quando uma lona preta ficou tapando o altar, durante um mês. Segundo o padre, só foi preciso fechar a igreja durante dois dias e, nessas datas, as missas foram realizadas num auditório do Pátio do Colégio. O local fica aberto ao público para visitação de terça-feira a domingo das 8h às 16h30. Da terça à sexta-feira são realizadas missas ao meio-dia e aos domingos, às 10h.
Fonte Globo.com
domingo, 13 de setembro de 2009
Conservação do Mosteiro de São Bento recupera história, arte e arquitetura do Centro do Rio
Rio de Janeiro - Patrimônio histórico, cultural e acima de tudo religioso dos mais antigos do Rio de Janeiro, o Mosteiro de São Bento passa por um processo de conservação das suas instalações que começou há dois anos e deve terminar daqui a outros dez, na previsão do seu Diretor de Patrimônio, D. Mauro Fragoso, que também é professor de história da arte da faculdade São Bento.“Acabamos de ver concluída a conservação de duas das nove capelas, a do Santíssimo Sacramento e a capela-mor, que tomaram dois anos de trabalho”, contou o diretor, esclarecendo que toda a reforma depende de patrocínio como o obtido para a capela-mor, com a Petrobras, a de Santo Amaro e a do Santíssimo Sacramento, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).A obra de conservação – termo que dom Mauro prefere a restauração – inclui a parte mais crítica, a detecção e combate aos cupins, que comprometiam a sustentação das duas capelas agora entregues, mas prossegue com a recuperação de todos os elementos, até as folhas de ouro que emprestam ao seu revestimento o esplendor do barroco religioso brasileiro.As capelas ainda pendentes de patrocínio para as obras são a de Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Pilar, Santa Gertrudes, São Lourenço, São Brás e São Caetano. A de Santo Amaro, cuja conservação começou em abril., deverá se entregue no mês que vem. Fundado em 1590, quando o Rio de Janeiro era uma cidade de apenas 25 anos, o mosteiro beneditino foi instalado inicialmente na Ermida de Nossa Senhora do Ó, na atual Praça XV. De lá, transferiu-se para o outeiro, hoje Morro de São Bento, doado por Manuel de Brito, amigo do fundador da cidade, Estácio de Sá.A instalação definitiva do Mosteiro e da Igreja de Nossa Senhora de Monserrat, que compõem o conjunto arquitetônico, começou em meados do século 17 e só terminou 90 anos depois, em 1742. Até o conjunto mantém as características originais do período e constitui o exemplo histórico mais importante do centro do Rio de Janeiro.“Com o passar do tempo, houve também uma mistura de estilos, comum na história da arquitetura brasileira. A capela mor, por exemplo, tem uma parte barroca e outra parte rococó”, disse a restauradora Rejane Oliveira dos Santos, contratada para a conservação pela empresa que cuida da recuperação dos telhados e outras partes não artísticas ou religiosas das construções.Em concordância com dom Mauro Fragoso, Rejane também apontou a ocorrência de cupins como a principal preocupação na conservação do mosteiro, porque tudo é à base de madeira muito antiga: “Na capela mor chegamos a encontrar cupins vivos, o que é difícil, porque o cupim é fotossensível e não costuma estar à vista, exposto à luz”.O conjunto do Mosteiro de São Bento está incluído na área do projeto de revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro, como outro morro, o da Conceição, com fortificação, instalações militares e casario do século 18. “Eram quatro os morros do centro do Rio: do Castelo, de Santo Antônio, da Conceição e de São Bento”, Rejane lembrou. Do Morro de Santo Antônio, restam hoje o convento e a igreja do mesmo nome e a capela da Ordem Terceira de São Francisco, junto ao Largo da Carioca. A maior parte foi eliminada com a expansão do centro para a Rua do Lavradio, no lugar onde hoje está a Avenida Chile.O morro do Castelo foi desfeito em 1922 à base de jatos d’água, motores elétricos e máquinas a vapor, a pretexto de melhorar a ventilação no centro da cidade e para abrir espaço às comemorações de centenário da Independência. Sua importância histórica remonta a 1567, antes mesmo da chegada dos beneditinos ao Rio – daí o conjunto do Morro de São Bento ser hoje a memória mais antiga do centro carioca.
Agência Brasil
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Parte da história do Brasil Colônia está preservada no interior de Sergipe
Antena Paulista visita o Museu do Ipiranga
Artistas plásticos se reúnem para pintar telas com cenas antigas
Cemitério vira atração turística
Antiga casa de Santos Dumont é transformada em museu
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Telas de Portinari em Batatais serão restauradas

As 37 telas expostas nas paredes da Matriz do Senhor Bom Jesus da Casa Verde, em Batatais, região de Ribeirão Preto, incluindo 23 do pintor Cândido Portinari, nascido na vizinha Brodowski, serão restauradas em breve. A prefeitura, após licitação com quatro participantes, já definiu que o ateliê De Vera Artes, de São Paulo, executará o trabalho, previsto para durar um ano. Mas ainda depende de análises e aprovações do projeto pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pela Fundação Portinari, uma vez que existem ali obras tombadas e outros trabalhos do renomado pintor.A preocupação com as restaurações surgiu no começo deste ano, após a descoberta das ações de cupins em duas obras do artista local Mozart Pelá e da análise de um furo no canto inferior da tela A Sagrada Família, de Portinari. Somente essa obra está avaliada em US$ 4,5 milhões por técnico do Museu do Louvre, de Paris. Fuga para o Egito tem a mesma avaliação e Jesus e os Apóstolos (que reúne seis escolas artísticas: expressionismo, realismo, surrealismo, primitivismo, impressionismo e cubismo), exposta na nave central da igreja, atrás do altar, teve proposta real de compra de US$ 6 milhões. Mas as obras não podem sair da cidade. Um segundo trabalho de Portinari, não sacro nem tão valioso, instalado na sacristia, também foi atingido por cupins.INVESTIMENTOSegundo o secretário de Esportes e Turismo de Batatais, Antônio Carlos Corrêa, as restaurações ocorrerão na própria cidade, pois o custeio com transporte e seguro poderia triplicar os gastos. Só as obras de Portinari estão estimadas em cerca de US$ 30 milhões. "Na realidade, são obras de valores inestimáveis", comenta Corrêa, que não confirma o investimento nas recuperações, que deve ficar entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, segundo experts. Ele espera aprovações do Iphan e do Condephaat em até dois meses. Além de pinturas de Portinari e Pelá, existem na matriz obras de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e Roberto Bérgamo e Aparecido Diani.A restauradora Florence Maria White de Vera, que se aposentou no Museu de Arte Contemporânea (MAC), em 1997, disse que seria mais fácil levar as obras para seu ateliê, em São Paulo. "Teríamos um conforto melhor e todos os equipamentos à mão, mas vamos montar um ateliê lá em Batatais", informa ela, que imagina restaurar três obras por mês.Florence diz que, na primeira etapa, deverá manter três pessoas na cidade de Batatais, de um total de oito de sua equipe. Os primeiros passos do trabalho serão as verificações da estabilidade do suporte de cada obra, as substituições de chassis e as limpezas da policromia (pintura).Florence aguarda um comunicado oficial para iniciar o trabalho. "Só sei que o meu projeto foi encaminhado ao Condephaat e ao Iphan", destaca ela. As obras de Portinari foram pintadas entre 1951 e 1954, encomendadas e adquiridas por cafeicultores e famílias tradicionais de Batatais e doadas à igreja. Merece destaque nessa lista a Via Sacra (de 1954), um conjunto de 14 telas do pintor, que está distribuída na nave central da igreja do município, mas ainda não conta com avaliação oficial por técnicos do Museu do Louvre. A igreja recebe visitação mensal, gratuita, de cerca de 3 mil turistas.
domingo, 2 de agosto de 2009
sábado, 1 de agosto de 2009
Restauração Igreja Nossa Senhora da Boa Morte - Entrevista Cardeal Dom Odilo
Traíras, cidade histórica de Goiás, corre o risco de ruir
TRAÍRAS, GO - Há algo na alma do sertanejo que o leva a conversar por estrofes e poesia, talvez uma artimanha da vida para compensar as várias dificuldades da rotina, o rosto marcado pelo sol, os calos das mãos. Vilson da Silva Rocha, de 81 anos, dono de olhos que acusam cansaço e mãos que provam o esforço, surdo de um ouvido e muito seletivo no outro, é um desses homens que escolhem as palavras certas sem querer, quase como se quisesse fazer um testamento de sua história. Também fala com o peso de ter de resumir em sentenças a história de sua vila, suas raízes, transformadas em ruínas pelo descaso. “Não foram as casas que ruíram, foi o mundo que caiu”, diz, olhando de soslaio para o sol forte de mais uma manhã sem movimento no povoado de Traíras, bem no norte de Goiás. “Aqui era muito maior, mais pessoas, mas quase todos foram embora. Aí a gente que ficou não teve mais importância. Agora as casas estão acabando de acabar.”
Seu Vilson mora “desde pequenininho assim” nesse que já foi o maior centro da mineração do Brasil Central no século 18, uma das maiores jazidas de ouro e um dos capítulos mais importantes da época colonial, lugar onde a cobiça transformava homens de todos os lugares do País em eternos garimpeiros, eternos sonhadores, eternos sofredores. Ali, entre 1735 e 1800, 30 mil pessoas tentaram construir novas vidas com a promessa nem sempre verdadeira e a esperança muitas vezes exagerada de encontrar uma pepita dourada. Sem falar nos escravos, que nem esperança podiam ter. Por ali também teria pernoitado d. Pedro II, que despachou de uma hospedaria e transformou Traíras em capital nacional por 24 horas. Ainda assim, o nome do povoado só existe hoje na memória de alguns poucos goianos que insistem em dormir sob as ruínas de velhas residências. Residências essas que correm risco de desabar integralmente, sem exceção, fazendo com que Traíras só permaneça mesmo na poesia dos sertanejos que passaram por lá.

Cães na ruina da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a Igreja dos Negros. André Dusek/AE
Apesar de tamanha importância, o local ainda não foi incluído no PAC das Cidades Históricas, do Ministério da Cultura. “Isso aqui já foi muito bom, muito ouro, muita gente”, diz o comerciante Francisco João Pereira, o seu Chico, de 73 anos, todos morados em Traíras, que hoje pertence ao município de Niquelândia e está a quase 350 quilômetros da Goiânia. “Tiravam pedronas daqui viu, coisa grande. Até hoje, quando chove, a gente vê uns brilhantinhos correndo por aí no chão, umas faisquinhas de ouro. Eu mesmo já peguei não faz muito tempo, mas também já vendi. Ouro não guarda, né, meu filho. Mas faz tempo já que as famílias foram embora, deixaram tudo para trás, e as coisas começaram a virar ruínas. As igrejas tombaram, as casas tombaram, só sobrou umas sete delas, que também podem tombar a qualquer momento.”
CACHO DE BANANA DE OURO
Fundada em 1735 pelo português Manoel Tomar às margens do Rio Traíras, a região só é acessível por meio de uma estradinha de terra que quase nunca recebe visitantes. É um povoado parado no tempo, quieto, lento, onde o relógio parece andar um tanto mais devagar e onde as pessoas ficam nas portas das casas apenas ouvindo o silêncio. Trata-se também de um exemplo feito de pedras e de pregos de madeira sobre o que é o descaso público, a falta de preocupação com o patrimônio e a negligência com a história nacional. Seu Vilson, seu Chico e os outros 30 moradores que ainda resistem na vila caindo aos pedaços parecem ser os únicos que ainda tentam divulgar a memória de Traíras, seja relembrando as vidas que passaram por ali em meio a goles de pinga, no único bar do povoado, seja contando causos tão inacreditáveis que mais parecem ter sido inventados.
“Tá vendo aquela parede ali?”, aponta José da Silva Oliveira, “64 anos e cinco meses”, que desde os 11 anos mora no local. “É tudo o que sobrou de uma cadeia pública, a mais conhecida da região. Ela pegou fogo, morreu todo mundo que tava preso. Falam que eles ainda tentaram fugir por um buraco. Até hoje esse buraco existe e já foram encontrados uns ossos por lá. Mas, se é verdade, não sei não.” Seu Chico não gosta de falar em mortes e prefere desfilar seus conhecimentos em histórias sobre o ouro. “Falam que quando d. Pedro veio para Traíras, uma senhora muito rica mandou fazer um cacho de banana de ouro maciço para dar de presente. Falam, né...”
Hoje, nada está intacto em Traíras. Metade da casa onde d. Pedro II teria se hospedado já caiu e o restante provavelmente ainda não sucumbiu totalmente por força das rezas de dona Ana João Pereira, de 56 anos, que mora no imóvel. “Tivemos até de derrubar uma pilastra, porque ela estava levando o resto da casa junto para o chão. Agora até que está tudo quietinho, vamos ver por quanto tempo.” A casa de fundição do ouro virou ruínas. O Cartório Civil é hoje residência de dona Maria das Graças França, de 48 anos, que teve de escorar as paredes. Já as 22 lojas, 9 armazéns de secos e molhados e 10 tabernas que chegaram a existir nos tempos áureos da aldeia só se conservam vivas no documento Notícia Geral da Capitania de Goiás, datado de 1783 e um dos poucos papéis oficiais que ainda existem sobre Traíras.

Francisco João Pereira e sua irmã, Ana João Pereira, dona da casa onde ficou Dom Pedro II. André Dusek/AE
O mesmo levantamento conta que o povoado tinha 31 lavras de ouro, 28 engenhos e 4.247 escravos. Outro documento que vislumbra um pouco da importância histórica da região é o tombamento da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, uma das três que existiam em Traíras - uma igreja para os brancos, outra para os negros e outra para os mulatos. Carlos Drummond de Andrade, então funcionário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), escreveu assim no parecer de inscrição 426 de 19 de janeiro de 1955: “Edifício religioso localizado no centro do antigo e próspero arraial de Traíras. Construção do período do ciclo do ouro em Goiás, esta igreja possuía obras de arte em seu interior (...). O arco do cruzeiro era decorado com motivos em interpretação barroca. Os altares laterais em talha, com colunas torsas e baldaquino, se assemelhavam aos retábulos de Minas, na época de d. João V.”
IMPORTÂNCIA HISTÓRICA
Na década de 70, a três igrejas já tinham virado ruínas (a Nossa Senhora do Rosário exibe atualmente apenas pedaços das paredes e serve como chiqueiro para dois grandes porcos). Um bispo muito conhecido da região teria retirado todos os ornamentos, até mesmo um de 80 centímetros feito de marfim, além dos sinos e castiçais. Segundo o Iphan, os altares surrupiados da Nossa Senhora do Rosário deverão agora ser encontrados, catalogados e preservados, uma vez que eles pertenciam a um local tombado pelo órgão.
“Traíras deveria ser preservada pela importância para a história do Brasil”, diz Silvaline Pinheiro, poetisa goiana que luta pelo tombamento da região. Há pelo menos cinco anos, ela pesquisa documentos relativos a Traíras e entrevista moradores na tentativa de guardar um pouco da memória do local. Com a ajuda de uma amiga, Silvaline até localizou documentos em Portugal que mostram que d. Pedro II realmente esteve em Traíras. “Sempre ouvi meu pai falando da beleza de Traíras, o povoado mais importante no século 18. Cheguei até a pegar depoimentos de uma senhora que me contou sobre as torturas que seu avô sofreu ali. Não sou pesquisadora ou qualquer outra coisa parecida, apenas cursei as três primeiras séries. Mas graças ao amor pela leitura aprendi o que todas as pessoas deveriam aprender: a importância de saber a nossa própria história.”
Fonte: O Estado de SP
sábado, 18 de julho de 2009
Teatro Municipal
No fim do século passado, a aristocracia paulistana pedia uma casa de espetáculos que pudesse receber as grandes companhias estrangeiras. Em 1900, a cidade contava apenas com o Teatro São José, que, depois de um incêndio, não tinha condições de acomodar os espetáculos estrangeiros. Decidiu-se então construir um novo espaço para atender às necessidades culturais da cidade que crescia a olhos vistos.
O edifício seria levantado em um terreno no Morro de Chá e a obra comandada pelo arquiteto Ramos de Azevedo - que depois emprestaria o nome à praça que fica bem em frente ao teatro. O terreno foi comprado em 1902 e os trabalhos começaram no ano seguinte. Ramos de Azevedo já sabia exatamente como seria o prédio: uma réplica menor da Ópera de Paris. Em 12 de setembro de 1911, o Teatro Municipal foi inaugurado, com apresentação do célebre barítono italiano Titta Ruffo, interpretando Hamlet, do francês Ambroise Thomas.
Feito para ter o palco ocupado quase que exclusivamente por óperas, o Municipal demonstrava, dez anos após sua inauguração, que não estava limitado às árias e ao lirismo, para tristeza e irritação dos puristas. Nos anos 20, os paulistanos puderam apreciar as performances das bailarinas Anna Pavlova e Isadora Duncan. Na mesma década, abrigou a Semana de Arte Moderna, que teve entre seus maiores expoentes Mário e Oswald de Andrade, Villa-Lobos, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral.
Nos anos que se seguiram, a opulência do Municipal foi desaparecendo lentamente por causa das novas construções e hábitos da cidade. As Lojas Anglo-Americanas (antigo Mappin), o prédio do Banespa, o Hotel Esplanada (na época, o mais elegante de São Paulo, atualmente sede do grupo Votorantim), transformaram a função cultural que os arredores do teatro tinham em sua origem.
O teatro foi reformado duas vezes: uma na gestão do prefeito Faria Lima, quando as paredes foram pintadas e o lustre central da platéia, de 360 lâmpadas, regulado e o projeto original descaracterizado. A outra começou na administração de Jânio Quadros e foi concluída pela prefeita Luiza Erundina. Nesta, procurou-se preservar e restaurar o trabalho de Ramos de Azevedo. A fidelidade foi tanta que a fachada externa foi restaurada com arenito vindo da mesma mina que forneceu o material para a construção do início do século.
Muitos artistas puderam visitar a cidade e se apresentar no Municipal. Foram vários os nomes importantes no palco: interpretando óperas, Enrico Caruso, Maria Callas, Bidu Sayão e Tito Schipa; na regência, o maestro Arturo Toscanini. A arte dramática foi representada com o melhor produzido dentro (Procópio Ferreira e Cacilda Becker) e fora (Viven Leigh, Raymond Jérôme) do País.
Endereço: Viaduto do Chá/Praça Ramos de Azevedo, Centro Telefone: (011)3223-3022Horário: das 9 às 17horas
sábado, 11 de julho de 2009
IGREJA DE NOSSA SENHORA DA BOA MORTE SERÁ REABERTA SÁBADO
Com participações previstas do governador José Serra e do Prefeito Gilberto Kassab, cerimônia de reabertura e benção serão realizadas neste sábado (11/7), às 19:30 horas.
O evento de reabertura, no sábado (11/7), conta com apresentação de um coral dos Arautos do Evangelho, aberto ao público.
Rito de dedicação da igreja, necessário em razão das intervenções realizadas, ocorrerá domingo (12/7) às 8:00 horas acelebração da missa. Igreja passa a funcionar 24 h e prestará atendimento à comunidade.
Com gestão cultural da Formarte e realização da Concrejato, restauração teve patrocínio dos bancos Santander, Safra, Bradesco e Itaú, do Grupo Votorantim e da Sabesp.
Teve o incentivo da Lei Rouanet, através do Ministério da Cultura e do Governo de Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura.
Tombada pelo Condephaat, é considerada a primeira igreja em São Paulo em que brancos e negros sentaram-se juntos.
Uma das poucas referências remanescentes do “barroco paulista”, será assumida pelos padres da aliança da misericórdia, que atuam com populações carentes.
CARDEAL ARCEBISPO DE SÃO PAULO REALIZA, NO DIA 11 DE JULHO,
REABERTURA DA IGREJA NOSSA SENHORA DA BOA MORTE PARA A CIDADE DE SÃO PAULO
Com gestão cultural da FormArte e realizada pela Concrejato, a restauração consumiu R$ 6,5 milhões em três anos com patrocínio dos bancos Santander, Safra, Bradesco e Itaú, do Grupo Votorantim e da Sabesp, além de recursos do Estado, através de sua Secretaria de Cultura
O Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo P. Scherer entrega o restauro e reabre, no dia 11 de julho, a Igreja Nossa Senhora da Boa Morte, do século XIX, que foi submetida a um dos mais significativos processos de recuperação do patrimônio histórico e religioso da cidade de São Paulo.
As obras do restauro da Igreja Nossa Senhora da Boa Morte, iniciadas em outubro de 2006 pela Concrejato, com gestão cultural da FormArte. A restauração do templo – considerado o primeiro em São Paulo em que brancos e negros sentaram-se juntos - exigiu R$ 5 milhões investidos pelos Bancos Santander, Safra, Bradesco e Itaú, pelo Grupo Votorantim e Sabesp. Teve o incentivo da Lei Rouanet, através do Ministério da Cultura e do Governo de Estado, através da Secretaria de Estado da Cultura, que aportou recursos em convênio para preservação de bem tombado pelo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo -, assinado em 1974.
Localizada na Rua do Carmo, na região central de São Paulo, e hoje pintada em amarelo e branco, a Igreja Nossa Senhora da Boa Morte é uma das poucas referências remanescentes colonial também conhecido como “barroco paulista”. Sua primeira missa foi celebrada em 15 de agosto de 1810, mas as obras só foram concluídas em meados do século 19.
Durante a cerimônia de reabertura, marcada para 11/7, às 16h, e que dá início as comemorações de bicentenário da igreja, será celebrada uma benção pelo Cardeal Arcebispo com as presenças confirmadas do governador José Serra, do prefeito Gilberto Kassab e de representantes dos patrocinadores. Após, a benção, o templo será aberto ao público e haverá uma apresentação de coral. A realização de missas, entretanto, só poderá ocorrer após o rito de dedicação, agendado para o dia seguinte (12/7), já que inúmeras intervenções foram feitas na edificação nos últimos três anos.
Com a reabertura, a igreja funcionará 24 horas e vai prestar também atendimento à comunidade da região. O templo será assumido pelos padres da Aliança da Misericórdia, fundada há 10 anos, e que atua com populações carentes. A proposta da Arquidiocese é transformar o espaço em um centro de espiritualidade, com leitura das escrituras e adoração perpétua durante à noite, além do trabalho para a caridade, e também em um espaço cultural, com atividades especiais todo mês.
Assinado pelo arquiteto Olympio Augusto Ribeiro, o projeto de restauração da Igreja Nossa Senhora da Boa Morte - que dispõe de 25 ambientes, além dos da torre - destaca como ela era antes das diversas intervenções que ocorreram durante os anos: uma construção, em grande parte, da primeira década do século 19 em taipa de pilão e adobe e paredes divisórias mais antigas em pau-a-pique, reunindo a igreja, a antiga casa paroquial e construções anexas, entre as quais uma creche e uma lanchonete. Os pisos são em ladrilho hidráulico em grande parte do térreo – na capela-mor é de madeira, bem como no piso superior e no forro.
Ainda de acordo com o estudo de arquiteto restaurador, a igreja é um dos poucos remanescentes paulistanos da antiga vila de taipa e pertencia à Irmandade da Boa Morte, de homens pardos, que sobrevivia de doações dos que desejavam uma boa passagem para a vida eterna. Sua construção se deu ao longo de 70 anos. No início do restauro, segundo Ribeiro, a edificação encontrava-se “íntegra em suas principais características arquitetônicas e as obras incluíram o corpo da igreja, a antiga casa paroquial e o pátio”.
Para Maria Aparecida Souket Nasser, engenheira da Concrejato, a igreja, uma das poucas construções de taipa da cidade, estava bastante danificada. Dentre os principais problemas encontrados, destacam-se os telhados com distorções geométricas, curvaturas e telhas desalinhadas; frechais apodrecidos; terças nas mesmas condições com cupins; calhas deterioradas com oxidação; peças do beiral soltas e com rachaduras; paredes de taipa com infiltração; e as de adobe com estrutura danificada, entre outros.
As obras incluíram reforço estrutural do telhado, que tinha fungos e cupins, recuperação das paredes de taipa e adobe, recomposição dos pisos e forro. O revestimento externo foi inteiramente refeito com argamassa de cal, sem adição de cimento. Também foram eliminadas as intervenções inadequadas. Um conjunto da Cohab que nunca foi concluído e desabitado, colado a uma das paredes da igreja, foi derrubado, e a creche que funcionava em suas dependências foi transferida e o espaço foi transformado na casa paroquial.
O Memorial Descritivo da Obra ressalta que “uma das intervenções que mais comprometeram preservação da unidade da igreja diz respeito à remoção de parte do altar-mor para execução de sanitários em sua parte posterior”. Segundo Ribeiro, pesquisas demonstraram que a disposição original das imagens no nicho principal do altar-mor mantinha “o esquife de Nossa Senhora da Boa Morte em sua porção inferior e a imagem de Nossa Senhora da Assunção no topo dos degraus da assunção”, resgate efetuado no restauro.
A surpresa
Para a Maria Aparecida, a maior surpresa que a equipe de mais de 100 profissionais envolvidos no restauro encontrou foi o forro de madeira sobre o altar. Durante mais de 30 anos, ele ficou embalado - pintado na cor cinza ainda com a cabeça dos cravos - no coro da igreja, bem preservado, exceto as chamadas réguas centrais. Feita a avaliação das peças, descobriu-se uma faixa colorida. Após a decapagem das tábuas, surgiu uma pintura - não identificada, mas provavelmente de um artista da época do barroco - da coroação da Virgem, em que, entretanto, faltavam as partes centrais do rosto de Deus, de Jesus e da Virgem.
Segundo Maria Aparecida, a decisão sobre o que fazer com o forro “foi bastante difícil e envolveu os restauradores e os órgãos de preservação do patrimônio”. A escolha recaiu sobre refazer a pintura, por meio da técnica de pintura em pequenos traços, chamada de tracejado, em um tom pouco mais claro do que o original.
Outra escolha dos restauradores foi pela manutenção, em vários locais da igreja, de partes da parede não restauradas, para mostrar aos visitantes sua composição original. Isto pode ser visto, por exemplo, em uma parede da entrada lateral direita, na nave e no salão paroquial. Parte dos ladrilhos hidráulicos que hoje decoram o piso da igreja são originais e parte foi especialmente elaborada com o mesmo desenho.
Assinado por Carlos Bertolucci, o projeto iluminotécnico teve, de acordo com Maria Aparecida, o objetivo de “não chamar a atenção”. Ele desenhou luminárias especiais para a igreja para, apenas, “produzir luz”.
Imagens e bens móveis
Além dos aspectos arquitetônicos, o que mais chama a atenção e dá um caráter único à igreja é o conjunto de imagens sacras encontrado em seu interior, nos altares laterais e no altar principal. As peças foram restauradas pela Julio Moraes Conservação e Restauro, que também fez o restauro do forro do presbitério, assim como o altar-mór e os elementos dourados. A imaginária de altíssima qualidade, por sua diversidade, compreende exemplares elaborados em técnicas raras, como algumas feitas em papel e tecido, madeira e gesso. Foram restauradas 13 imagens sacras que chamam atenção não só pela beleza e diversidade das peças, mas também pela sua riqueza intrínseca, isto é, as tradições e toda a carga histórica. Há alguns dos chamados santos do pau-oco, que têm seu interior vazio e eram mais leves para carregar na procissão. Segundo as histórias populares, o interior oco das imagens era usado para ocultar objetos de valor ou pedras e metais preciosos, testemunhas de hábitos já desaparecidos e de uma sociedade já modificada. Há imagens de vestir com perucas e figurinos, e algumas são articuláveis.
A Igreja Nossa Senhora da Boa Morte conta com algumas imagens de rara beleza. Dentre elas, estão a imagem do Cristo Prisioneiro trazida do Pátio do Colégio, datada provavelmente do século 16; na entrada está Santo Expedito; nas paredes laterais, as imagens de Nossa Senhora das Dores, das Lágrimas e da Assunção, Mas, o que chama a atenção é a imagem de Nossa Senhora da Boa Morte, sendo uma devoção rara e inclusive mais conhecida como Nossa Senhora da Assunção, que vem do latim “Dormitio Mariae”.
A devoção à Santa
De acordo com estudos do arquiteto Olympio Augusto Ribeiro, a devoção à Nossa Senhora da Boa Morte chegou aos cristãos do Ocidente por meio da tradição do Oriente, sob o título “Dormição da Assunta”. Segundo ele, “a última metade do século V foi marcada pela propagação de uma literatura apócrifa” sobre a morte e assunção da Virgem. Estes escritos revelavam que a Virgem Maria teria entrado em “dormição”, isto é, “entrado no sono da morte rodeada pelos apóstolos. Seu corpo imaculado foi levado por eles a um sepulcro novo no Getsêmani. Três dias depois eles voltaram ao local e o encontraram vazio e com odor de flores. A mãe fora ‘assunta’, isto é, subira ao céu em corpo e alma”.
IRMANDADE DE NOSSA SENHORA DA BOA MORTE FOI
CRIADA NO SÉCULO 18 E A IGREJA, EM AGOSTO DE 1810
Documentos disponíveis no Arquivo da Cúria e citados no Memorial Descritivo do restauro, elaborado pelo arquiteto Olympio Augusto Ribeiro, revelam que a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte foi criada em 1728. Em 1802, em requerimento a D. Mateus de Abreu Pereira, bispo de São Paulo, a Irmandade solicitou licença para construir uma “igreja no Páteo de São Gonçalo”. Mas, não se sabe a razão, a igreja acabou sendo edificada na Rua do Carmo. O templo foi inaugurado em 25 de agosto de 1810 e a primeira missa, realizada onze dias antes.
De lá para cá, ainda segundo os estudos de Ribeiro, a Igreja passou por várias intervenções. O registro mais antigo sobre ela foi feito em 1827, pelo viajante inglês Willian John Burchell – uma aquarela que destaca uma torre. Uma outra imagem, de 1862, do fotógrafo Militão Augusto de Azevedo, mostra a edificação vista da ladeira do Carmo, mas sem a torre. Na década de 1930, a Boa Morte, que passara a abrigar provisoriamente a comunidade sacramentina, teve seu altar alterado para adoração perpétua do Santíssimo Sacramento.
Os livros “Arquidiocese de São Paulo – Igreja Nossa Senhora da Boa Morte – Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte – Receitas e Despesas”, um do período 1821/1858 e o outro de 1906/1958, também citados por Ribeiro, mostram as intervenções realizadas na construção. “Rebocou a porta da sacristia” (1821); 4 dúzias de forro para o coro” (1827); “caixilho do nicho de Nossa Senhora” (1835); “reparos na igreja” (1908); “reforma da igreja” (1927); “pintura e reforma da capela mor” (1947); “colocação de vidros na frente da igreja’” (1958). Entre 1970 e 1974, sob orientação do Condephaat, foram feitas outras reformas e, nos primeiros anos de 1980, realizadas “reformas no telhado e forros e construídos os sanitários e anexos na área descoberta”.
Barroco paulista
A Igreja destaca-se pela sua singeleza, representante do barroco paulista, frequentada por negros e mulatos, erigida próxima ao local das execuções dos condenados na antiga Província de São Paulo, local das últimas orações e do velório dos condenados. Foi fundada pela Irmandade dos homens pardos de Nossa Senhora da Boa Morte, que significa, neste contexto, a população de mestiços. É considerada a primeira igreja de São Paulo em que brancos e negros sentaram-se juntos. Nas demais havia áreas distintas para cada raça.
“Uma boa morte” era o último pedido dos condenados, subindo da atual Várzea do Glicério pela Rua Tabatinguera, antes de serem enforcados no Largo da Forca, na Liberdade, que se situava junto à atual Igreja das Almas dos Enforcados. Seus parentes e amigos desciam pela atual Rua dos Estudantes para rezar por suas almas.
A edificação chama a atenção por sua simplicidade, diferente dos demais templos. É composta por três naves e dois pavimentos nas alas, com dois púlpitos, algumas tribunas e um coro na parte de cima, que faceiam a nave central, com pé-direito mais alto e um arco cruzeiro ao centro.
O frontispício da construção é feito em alvenaria, assim como sua única torre, que desabou e foi refeita - intervenções no projeto original que datam do início do século 20, data de referência a partir da qual parte o projeto de restauração. Também os ornatos e a douração no interior do templo são dessa época. Seguindo os conceitos mais atuais das intervenções de restauro, são deixados testemunhos das diversas camadas de tinta resultado das pinturas prospectadas.
“Há herança do Barroco Mineiro tanto na configuração do espaço, como nos entalhes em madeira, que são muito semelhantes aos encontrados lá. O jeito de fazer, porém, é diferente. É paulista”, diz Maria Aparecida. “Utilizava-se o que havia no local. Como não existia pedra, os materiais empregados foram terra e madeira. Este exemplar é muito interessante como referência de técnica construtiva.
Seu conceito de estrutura é bastante empírico, mas perfeito. Além das paredes em taipa e adobe, há duas ou três feitas de pau-a-pique, que servem como divisórias leves. Foram encontrados vários tipos de madeiras, muito provavelmente porque eram sobras de outras igrejas ou doações dos fiéis, o que comprova tratar-se de uma igreja dos pobres”, explica.
CERIMÔNIA DA DEDICAÇÃO SERÁ REALIZADA NO DOMINGO, DIA 12
Todas as intervenções realizadas na Igreja Nossa Senhora da Boa Morte exigem que o templo passe novamente pelo Ritual da Dedicação, agendado para o dia 12 de julho e que será realizado pelo Arcebispo Dom Odilo Scherer, a quem foi entregue o cuidado da igreja.
O Ritual diz que “convém, pois que, ao se erigir um edifício única e estavelmente destinado ao povo de Deus e à celebração das ações sagradas, seja esta igreja dedicada ao Senhor em rito solene, segundo antiquíssimo costume”.
A celebração da Eucaristia é o rito principal e o único indispensável para a dedicação da igreja. Mas, de acordo com a tradição, há uma prece de dedicação em que se afirma o propósito de dedicar para sempre a igreja ao Senhor e se implora sua benção. O rito inclui ainda a unção, incensação, revestimento e iluminação do altar, que se torna símbolo de Cristo. O incenso é queimado sobre o altar para simbolizar o sacrifício de Cristo. O revestimento indica que o altar cristão é “ara do sacrifício eucarístico e mesa do Senhor” e a iluminação lembra que “Cristo é a luz para a revelação dos povos”.
Uma vez preparado o altar, o bispo celebra a Eucaristia, parte indispensável e a mais antiga de todo o rito, pela qual “atinge-se a finalidade intencionada pela construção da igreja e do altar”.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Inscrições para apresentação de experiências em Patrimônio Cultural
Inscrições para apresentação de experiências em Patrimônio Cultural são prorrogadas até 5 de julho
Iphan, Fórum Nacional de Dirigentes e Secretários Estaduais de Cultura e Associação Brasileira de Cidades Históricas (ABCH) convidam a participar da 1ª chamada de experiências de gestão e políticas de patrimônio cultural.O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em parceria com o Fórum Nacional de Dirigentes e Secretários Estaduais de Cultura e a Associação Brasileira de Cidades Históricas chama para apresentação de experiências de gestão e políticas de patrimônio cultural no âmbito do Sistema Nacional de Patrimônio Cultural (SNPC).As experiências reunidas serão socializadas para garantir maior integração das políticas para o setor entre as três esferas governamentais e a sociedade civil e fomentar o debate sobre os temas transversais ao patrimônio cultural e os instrumentos de gestão necessários na atualidade.Será mais um instrumento para propor formas de relação entre as esferas de governo que permitam estabelecer diálogos, articulações e ações coordenadas para a implementação de políticas do patrimônio cultural, garantindo maior efetividade e maiores ganhos para a sociedade.Será selecionado um conjunto de experiências representativas da diversidade nas várias linhas de atuação e áreas temáticas do Patrimônio Cultural de iniciativa de municípios, estados, Distrito Federal, entidades não- governamentais e acadêmicas. O interessado deverá apresentar um resumo conforme formulário abaixo que deverá ser enviado para sistema.nacional@iphan.gov.br até o dia 05 de julho de 2009. As inscrições que anteriormente iam até 5 de junho foram prorrogadas por mais um mês. A seleção das experiências em gestão será realizada a partir dos seguintes critérios gerais:- Transversalidade da política de preservação do patrimônio cultural: ações estabelecidas envolvendo outras áreas em interface com a temática do patrimônio cultural (por exemplo, desenvolvimento urbano e educação);- Compartilhamento de competências e gestão: ações realizadas envolvendo articulações mais de uma esfera de governo, com instituição de canais ou instrumentos formais de ação conjunta;- Participação legitimada da sociedade na preservação, valorização e salvaguarda do patrimônio cultural;- Instrumentos de gestão inovadores em ações de proteção, preservação e salvaguarda do patrimônio cultural;- Formas de difusão, promoção e valorização do patrimônio cultural;Serão consideradas experiências de gestão e políticas do patrimônio cultural aquelas já realizadas ou em andamento. As experiências selecionadas farão parte de publicação de experiências do SNPC e serão divulgadas no sítio do Iphan.Na apresentação das experiências, deverão ser destacados os objetivos e as questões relevantes capazes de fomentar o debate reflexivo e prospectivo. Para ações em andamento, deverão ser apresentadas as etapas e atividades já realizadas.
Veja o formulário.
Fonte: Ascom
Inscrições para o Edital Arte e Patrimônio 2009 são prorrogadas até 24 de julho
Inscrições para o Edital Arte e Patrimônio 2009 são prorrogadas até 24 de julho
O prazo para as inscrições foi prorrogado até 24 de julho de 2009.
O Edital de Arte e Patrimônio, lançado em maio deste ano, teve suas inscrições prorrogadas até 24 de julho. Agora, os interessados vão ter mais tempo para inscrever seus projetos na iniciativa que vai escolher dez deles. O ação contempla projetos que estabeleçam diálogo entre as artes visuais contemporâneas e o patrimônio artístico e histórico nacional. O edital integra o programa Brasil Arte Contemporânea do Ministério da Cultura e tem o patrocínio da Petrobras.
O edital tem o objetivo de relacionar e valorizar dois universos de referências culturais: de um lado, trabalhos artísticos e processos estéticos atuais e, de outro, os acervos, as tradições, as culturas e os sítios que estabelecem a memória do país. Os recursos totalizam um milhão de reais, a serem divididos entre dez projetos que receberão até R$ 100 mil cada.
A idéia é confrontar as mais diversas formas de arte: pintura, gravura, desenho, objeto, escultura, design, fotografia, instalação, intervenções, arquiteturas, interfaces com mídias eletrônicas e digitais, vídeo-instalações, websites, publicações, textos, conceitos, processos, escritas críticas, ações coletivas, fóruns de debate, residências artísticas, espaços independentes e o que mais acontecer.
As iniciativas financiadas devem visar à ampliação do acesso da população brasileira a essas manifestações artísticas e narrativas culturais marcadas pela nossa história e nossas tradições. Devem ainda permitir ao público o conhecimento dos conceitos atuais que desenham o campo da arte contemporânea.
InscriçõesAs inscrições para o edital Arte e Patrimônio foram abertas dia 15 de maio e terminam em 24 de julho de 2009, mediante preenchimento de formulário específico no site do edital - www.artepatrimonio.org.br.
Serão aceitas inscrições de propostas de artistas, pensadores e outros profissionais brasileiros ou estrangeiros, amparados por pessoas jurídicas de natureza cultural sediadas no Brasil (autônomas ou vinculadas a instituições culturais tais como museus, centros culturais, institutos, associações de amigos, organizações não governamentais, universidades, prefeituras, galerias e espaços independentes).
Os projetos deverão ser realizados obrigatoriamente entre os meses de setembro de 2009 e fevereiro de 2010.
Mais informaçõeswww.artepatrimonio.org.br
Por Núbia Selen
Fonte: Ascom
Patrimônio Cultural
Capela de São Miguel Arcanjo, construída em 1622, no bairro de São Miguel Paulista-SPA preservação da memória de um povo está diretamente relacionada à conservação de seu patrimônio cultural. O processo de tombamento, no entanto, nem sempre é garantia de perpetuidade dessa memória, que muitas vezes se desfaz pela falta de incentivos públicos e privados. A primeira legislação brasileira que normatiza o tombamento do patrimônio cultural é o decreto-lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, que criou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e ainda vigora. Desde então, 676 bens arqueológicos, etnográficos, paisagísticos e históricos estão catalogados nos livros de tombo do órgão federal; outras centenas estão em tese protegidos pelos institutos estaduais e municipais. Saiba quais são esses órgãos, o que pode ser tombado e entenda o processo e suas implicações.
1. O que é patrimônio cultural?
O artigo 216 da Constituição Federal define patrimônio cultural brasileiro como sendo os bens de natureza material e imaterial tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade.
2. O que é tombamento?
É a preservação de bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e afetivo para a população por meio de um ato administrativo realizado pelo Poder Público, que determina que certos bens serão objeto de proteção especial.
3. Quem pode tombar o patrimônio histórico e artístico?
O tombamento pode ser feito nas três esferas de poder: federal, estadual e municipal. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é o órgão da União responsável pelo tombamento em nível federal. Nos estados, são os institutos do patrimônio histórico e artístico que podem executar essa tarefa. As prefeituras que possuem órgãos semelhantes também podem tombar um bem por meio de órgãos municipais de mesma natureza ou por meio de leis específicas ou pela legislação federal.
4. O que pode ser tombado?
Bens imóveis, áreas urbanas como centros históricos ou bairros; áreas naturais; e também bens móveis, como coleções de arte ou objetos representativos de um acontecimento histórico. Também é possível o registro do patrimônio imaterial, como o samba de roda do Recôncavo Baiano e o frevo. Além do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), algumas prefeituras e estados também possuem legislação própria sobre bens imateriais.
5. O registro de bens imateriais é o mesmo que tombamento?
Não. O registro é um instrumento de salvaguarda. Ao contrário do tombamento, cujo objetivo é a preservação das características originais de uma obra, seja móvel ou imóvel, o registro trata apenas de salvaguardar o desejo de uma comunidade em manter viva uma tradição, que pode vir a sofrer mudanças com o tempo. Um exemplo é o Ofício das Paneleiras de Goiabeiras, em que o registro preserva e repassa o saber do ofício da fabricação de panelas de barro feitas na cidade de Goiabeiras Velha, no Espírito Santo, que é indispensável para se fazer e servir a típica moqueca capixaba. Os livros de registros estão divididos em quatro categorias: Formas de Expressão, Celebrações, Lugares e Saberes.
6. Que tipo de proteção ganha um patrimônio imaterial ao entrar nesses livros de registro?
O objetivo é viabilizar projetos que ajudem a manter vivo o patrimônio cultural por meio de parcerias com instituições públicas e privadas, que irão colaborar com pesquisas e projetos que dêem suporte para sua continuidade. Dessa forma, tomando o Ofício das Paneleiras de Goiabeiras como exemplo, pesquisas em universidades poderão ajudar a desenvolver alguma espécie de barro que substituía a substância natural utilizada na fabricação das panelas, por se tratar de um recurso natural finito.
7. Tombar um móvel ou imóvel significa desapropriá-lo?
Não. O direito à propriedade permanece inalterado após o tombamento.
8. Um móvel ou imóvel tombado pode ser vendido?
Sim. Mas, antes o imóvel deve ser oferecido para a União, para o estado e para os municípios, nessa ordem. Caso nenhum deles queira adquiri-lo, a venda para outros é autorizada.
9. É possível realizar reformas e/ou restauração no imóvel tombado?
Sim, desde que aprovado previamente pelo órgão que efetuou o tombamento.
10. Um imóvel tombado pode mudar de uso?
Depende. Para isso, é necessário que o novo uso não cause prejuízo ao bem e haja uma harmonia entre a preservação das características do edifício e as adaptações ao novo uso. É necessária ainda a aprovação do órgão responsável pelo tombamento. Há, porém, exceções, casos em que a alteração do tipo de uso não é permitida.
11. Quem é responsável pela conservação e restauração do móvel ou imóvel tombado?
O proprietário, que pode se candidatar para receber verbas de leis de incentivo à cultura ou a descontos de impostos prediais ou territoriais disponibilizados por algumas prefeituras.
12. O tombamento é a única forma de preservação?
O tombamento é apenas uma ferramenta para se preservar um bem. Apesar de ser considerada a mais confiável, existem outras formas de preservação, que é de responsabilidade da União, dos estados e dos municípios, conforme estabelece a Constituição Federal. De acordo com o Iphan, o inventário é a primeira forma para o reconhecimento da importância dos bens culturais e ambientais, por meio do registro de suas características principais. Os Planos Diretores das cidades também estabelecem formas de preservação do patrimônio, assim como a criação de leis específicas que estabeleçam incentivos à preservação.
13. Quem pode pedir o tombamento?
Qualquer pessoa pode pedir aos órgãos responsáveis pela preservação a abertura de estudo de tombamento de um bem.
14. Como acontece um processo de tombamento?
O pedido de abertura de processo de tombamento é avaliado por um corpo técnico, que vai analisar se o bem em questão tem valor histórico ou arquitetônico, cultural, ambiental ou afetivo para a população e irá encaminhá-lo ao responsáveis pela preservação. Caso seja aprovado, uma notificação é expedida ao seu proprietário e o estudo volta para o corpo técnico. Enquanto a decisão final é tomada, o imóvel fica legalmente protegido contra destruição ou descaracterizações. O processo termina com a inscrição no Livro Tombo e comunicação formal aos proprietários.
15. Os órgãos brasileiros também são responsáveis pelo tombamento do patrimônio da humanidade?
Não. Esse é o papel do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Ciência e a Cultura), integrado por representantes de 21 países, que se reúne anualmente para votar as avaliações feitas por comissões técnicas da entidade. O Brasil possui atualmente 18 patrimônios da humanidade e tem o compromisso de protegê-los e conservá-los.
16. Quais bens no Brasil são considerados tombados pelos órgão competentes?
O Brasil tem 18 bens considerados patrimônios da humanidade pela Unesco, sendo que a cidade de Ouro Preto, o centro histórico de Olinda, o Plano Piloto de Brasília e a Mata Atlântica (Reservas do Sudeste) estão entre eles. Já o Iphan tombou 676 itens, uma gama variada de bens que vai do Elevador Lacerda, em Salvador à Casa de Vidro de Lina Bo Bardi (SP). Já o Condephaat tombou edificações como a Estação da Luz (SP) e a coleção Mário de Andrade do acervo do IEB-USP. Órgão estaduais e municipais têm suas próprias relações.
Fonte: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat)